quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pensamento, por que ousas me corromper, ousas em usurpar minha sanidade, minha castidade? Entrou por todos os lados e já anunciou que não tem boas intenções. Onde você agora vive, morava um sentimento, morava algo bom, que eu dava algum valor. Quer me dar o quê em troca? Acha que tenho gosto em negociar? Sei que já perdi o que tinha, mas se quer me dar algo em troca, o que tenho a perder? Pensamento, você que se diz inteligente, que se diz coerente, por que me sinto tão assim? Por que esqueço o quanto posso conseguir se tentar? Mas me faz acreditar que tudo é tão difícil, que tenho muito mais a perder... Pensamento, te chamo por substantivo próprio, pois hoje existe com propriedade, tem tratamento físico pois é onde me apoio de verdade. Você que sempre diz não gostar de mim, dos meus métodos, pede por trapaças e desdenha afetividades, poderia ao menos me dar algo em troca, algo parecido com um amor... Pensamento, com um amor de verdade.
Arnaldo Junior

terça-feira, 29 de junho de 2010

Se tenho problemas, são supérfluos. Gosto mesmo é de resolver os seus, de me perder em coisas que sei que nunca vou viver, ou que já vivi, ou que ando vivendo desde tempos. Quero viver um filme as suas custas, escolher no menu tudo que gostaria de ver, talvez coisas boas, talvez coisas ruins. Nesse filme às vezes participo, deixo tudo mais confuso quando às vezes escolho coisas que não vão me agradar, não tenho controle sobre o que posso sentir, prefiro achar que estou me surpreendendo, que apreciarei prazeres que não previ. Se anjos e demônios vivessem entre nós, talvez eu sofresse mais influencias do mal que do bem. Não penso muito em como as coisas podem ficar no final. Quero mesmo é a surpresa disso tudo, quero te ver sorrir por coisas boas que te fiz, te ver chorar por coisas tristes por coisas más que lhe ofereci. Mas você saberá que nada foi culpa minha, porque você teve opção, você sempre tem opção, te dei a solução de tudo, mas vinha junto percas que te fariam falta; dei-te a forma de complicar ainda mais as coisas, mas junto vinha à emoção e alguns prazeres. Se te influenciei na tua vida na verdade não sei, mas quero achar que sim. Meu maior vício sempre foi algo parecido com isso, devem existir bilhões de estudos científicos sobre assuntos relacionados, não sou diferente, nunca serei. Roubei-te alguns dias da sua vida, meses, e em alguns casos te tirei alguns anos, você acha que viveu tantas experiências, tantas coisas autenticas, mas nada foi sem ter feito uma prévia de planos, você andou silenciosamente nos trilhos que te dei, passou por ambientes que lhe programei, climas, momentos deliciosos, e alguns de tormenta. Tirei-te os trilhos e você praticamente se perdeu, é engraçado como algo que pode te fazer tão ruim é capaz de ser o alicerce de sua vida. Fiz com que sua existência se tornasse algo nada mais que genérica. Observei-te enquanto te vi andar por aí, enquanto estava do meu lado, procurando pelas opções que te dei, e enquanto emancipou-se, procurando pelas mesmas opções, mas agora em vão. Todos os sentimentos que lhe dei, foram sentimentos que gostaria de ter sentido, infelizmente não tenho essa habilidade de amar, odiar, de me perder em devaneios poéticos aos pensamentos por você, ou por qualquer outra mulher dessa terra, não é você, ou todas as mulheres, a deficiência é eu, e só. Se você acreditou em tanto amor, talvez tenha que aprender sobre o ódio também, pois você definitivamente não sabe onde há sentimentos, e onde não há. Queria mesmo ter te amado, ser sido sincero, queria não ter agido como sempre agi com as coisas, mas o personagem sempre tem propriedade sobre eu mesmo, sou somente um escravo e tenho que obedecer ao que ele pede. Ele ama quem acha que deve, tem seus inimigos de forma organizada e estratégica. Ele não precisa demonstrar nada além do necessário, ele nunca te perdoou, e sempre se vingou. Ele se diverte de coisas que você nunca imaginou, acha graça de desgraça, e desgraça de algumas graças. Mas ele também não é todo cruel, ele também sabe cuidar de coisas que tem como verdadeiro, é um guerreiro com suas honras, onde sabe beijar a mão de quem respeita, ou cravar um punhal ao abraçar quem odeia.
Arnaldo Junior 

terça-feira, 25 de maio de 2010


(filler)

Não posso dizer meu nome, pois na verdade eu existo, mas posso me dar como personagem. Quero agora contar a vida que levo, a vida que interpreto diariamente, sem medo de todos os fantasmas que hoje mesmo descobri que moram em mim, talvez assim me deixem definitivamente.
         Talvez seja isso um verdadeiro depoimento, talvez eu esteja falando sobre o que realmente ocorreu, e meu lado ainda com razão quer exalar o seu ultimo suspiro. Hoje descobri que não estou sozinho, vivo em um mundo diferente do que você vive, não tenho a privacidade dos pensamentos, não tenho segredos de medos, de fantasias, tenho minhas felicidades assistidas o tempo todo. Hoje descobri que existe alguma coisa vivendo entre meus pensamentos, uma forma física que na verdade, não tem forma alguma, mas existe e perambula por entre tudo que vivo, sorri das minhas graças e sorri mais ainda das desgraças, ele é superior a mim, sei que é, diz-se parecido comigo em bilhões de coisas, diz possuir todos os meus defeitos, e diz negar o pouco que sei que tenho de qualidades. Não esconde teus dentes diante do que tenho de melhor, zomba eloqüentemente  até dos meus ímpetos de atitudes boas, de pensamentos bons, ele me corrompe até nos meus sonhos, e quando acordo ele se levanta primeiro que eu, prepara meu mundo assistindo meu show, bate palmas pois ainda sim consigo surpreendê-lo, mas eu sei do que ele gosta, e inconscientemente dei-lhe tudo que sempre quis durante todo o tempo que o desejou, pois dividimos os mesmos prazeres. O ódio cheio de cores e sentimentos que evoluiu, apurou e ampliou todos os outros sentidos na verdade são meus. As intenções também sempre foram minhas, claro que são. Acredito que não posso ter simplesmente inventado tudo isso antes de ele vir a me observar, antes de ele ter se apaixonado pela derrota eminente que ainda terei. O vejo aguardando com sua paciência impaciente, ele vê o que viverei e o que serei. Hoje vi teus olhos pela primeira vez, me observavam assustados, pois o surpreendi, aposto que ele não esperava que fosse me ver o vendo. Mas o vi, e até agora meus ouvidos queimam, meu corpo enrijece e sinto todas as minhas terminações nervosas se precipitarem. Não posso dizer se eu o amo, não posso dizer se o que existe entre tudo que penso possui um sexo definido, ou se poderia ser um anjo do céu ou caído. Não sei dizer se ele realmente é feliz assim, talvez teus sentimentos em expressão sejam o oposto do que praticamos aqui, pessoas de carne. Olhando tudo que fiz vejo claramente a influência de suas intenções, um passado tão cheio de cores em alguns momentos, e tão sem cores em outros. Não sei se te peço pra sair e me deixa em paz, ou se continua com isso. Definitivamente preciso tomar uma decisão.
Arnaldo Junior

quinta-feira, 20 de maio de 2010




● Pensamentos soltos, Capitulo 6
Sinto o ressonar leve do meu pensamento, não sinto o corpo. E também não tenho a intenção de tentar imaginar como era. Faço que crie forma tudo que sinto, mas nada acontece. Tento diferenciar, assimilar, ponderar tudo que vejo. Mas novamente nada acontece. A dor lancinante é agora ainda mais forte, se agora houvesse corpo, talvez pudesse saber de onde vem, e pelo contato na carne naturalmente poderia dizer o que me causa tal dor. Mas o que era vantagem se vira contra mim, e não tenho certeza de o quão poderei suportar, talvez não importe, na verdade. Não estou em condições de manter esse orgulho, de viver essa farsa, tive tudo que pude e quando pude de sentimentos, vivi a eloquência de todos eles, optando sempre pelos extremos opostos, e me deliciava no usufruto, sempre com sorriso satisfeito do orgulho no canto da boca quando podia falar sobre isso livremente com alguém. Agora sinto vergonha do quanto isso sempre fora ridículo, a presunção sempre foi minha verdadeira atitude íntima, sem que respeite o que verdadeiramente importa. Quantas máscaras, quantos personagens? O que tenho agora? A dor agora é diferente, mas continua lancinante. Se eu pudesse dar vida a essa dor, talvez a teria imaginado como um coringa em forma, em função de carrasco, rindo de mim como se tivesse me visto a vida toda, rindo enquanto me corta lentamente, enquanto me vejo de frente o espelho, e esse espelho me mostra quem fui, sem a máscara que sempre mantive.
Arnaldo Junior

quarta-feira, 31 de março de 2010

Tema Off; Epílogo:

 São 4 da manhã, há muito sangue por todo o quarto, sinto um calor muito forte em minhas mãos, um calor externo, como que um manto, uma película cobrindo sutilmente minha pele em forma de cobertor. Lembro do frio que sinto no corpo todo, e um sorriso sacana se faz no meu rosto ao pensar nessa contradição de sentimentos. A confusão logo vem e usurpa a leve paz, tal paz que naturalmente nunca existiu, péssimo hábito esse meu de criar sentimentos, na ausência de tantos por que reproduzir logo a paz? Hipócrita! Minha respiração trafega suavemente, namorando meu pensamento cada vez mais leve, cada vez mais leve. Sei o quanto disso é ilusão, o quanto disso faz parte de um sonho, e o quanto posso sonhar, mas agora não é o momento de limites, não quero impor limites à delicia dos prazeres, o prazer soberano que por muito tempo me desejara, que hoje me tem como eu a tenho. Aprecio cada segundo desse contato muito além do íntimo.
Afago o quanto posso o que tenho de lembranças, tento acreditar também na coesão entre lembranças e passado real. É o que tenho agora, é o meu medalhão da sorte, minha caixinha de músicas que guardo no criado mudo do lado de coisas importantes.

                                                                                        Arnaldo Junior 

sexta-feira, 19 de março de 2010


“Dentro de um estúpido e singelo boneco, me vejo vagando em um emaranhado de sonhos, mistérios e desejos. Talvez eu esteja mesmo dentro desse boneco, talvez eu esteja mesmo preso nessa realidade que ofusca qualquer perspectiva. Vagar entre sonhos e desejos não quer dizer que estão pra mim, que posso tocá-los,  que posso tê-los pra mim. O que é meu já sei, já vivi tudo isso e venho vivendo agora, e viverei eternamente.”
Penso isso tão rápido quanto esqueço esse pensamento, enquanto caminho para meu especialista me vejo de frente uma idéia, tento desviar mas percebo que é inevitável, acho que preciso pedir que meu médico mude o medicamento, logo que entro, sinto como se pendurasse meu corpo ali, na entrada, e agora eu fosse somente a alma, a alma entrando no confessionário, ambiente pelo qual mais temo em vida! Cumprimento meu amigo, que continua na velha e eloqüente penumbra, observando meus devaneios, desejo tão quanto ele deseja o fim disso, mas é uma troca que tende a perpetuar. O fim desse romance existirá, acompanhado da delicia do meu ultimo suspiro.  
Arnaldo Junior

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pensamentos soltos, Capitulo 5

É na delicia de um sentimento impuro que digo, veementemente, que meu maior prazer é o que de pior existe, vivi mil anos sem poder sentir o que agora sinto, alias, sei que já senti, mas nunca consciente do que agora sinto, se eu pudesse explicar em pecado, teria que falar um pouquinho de cada, se eu pudesse explicar como prazer, continuaria falando de pecados; Sei que lúcido sinto isso, não me foge a razão me deliciar carinhosamente do que ainda vai me fazer mal, se eu tivesse que me despedir de tudo que agora tenho, esse seria o texto, pois percebo que não terei oportunidades de calmaria, esperando meu ultimo suspiro escrevendo coerências do que virão a seguir; não é o fim também, a personalidade dos meus olhos nunca mentiu pra mim; inebrio-me com o que posso, como pode algo tão cruel, instável e impuro me deixar tão apaixonado assim? Paixão? Seria paixão o que sinto? Paixão pelo que? Paixão pelo sentimento impuro, talvez. Se eu pudesse me definir, como se fosse esse sentimento, teria que mudar a ordem de todos os meus órgãos, falar uma língua única, olhar como se observasse, sempre interessado nos resultados e apreciando anomalias, crises, maravilhosas mentiras, péssimas verdades. Desejando os extremos do pior de tudo, de tudo ao meu redor; Se eu pudesse ter esse sentimento como sagrado, o mesmo deixaria de ser soberano, deixaria de só observar, e passaria a trabalhar entre todas as coisas; se eu pudesse descrever esse sentimento em um romance, o cenário seria um quarto de uma casa velha, com papel de parede em tom vermelho, com moveis em branco, todos impecavelmente brancos, com flores em tons rosa, com uma cortina ao vento, leve e trabalhada, em duas peças, ambas dançando assimetricamente, como se não se comunicassem, extremamente brancas, por tom e pelo reflexo do enorme sou que corrompe e faz desenhos de folhas das árvores lá fora ao chão, um chão de madeira, avermelhado e desnivelado, com alguns espaços milimétricos suas entre travessas, lutando contra a claridade da luz que vem das janelas poderia ver uma arvore velha de folhas muito verdes, muito junto à janela, balançando fortemente ao vento, as vidraças fechadas ocultam o som dessa ventania. Num escravo mudo, todo branco, ao lado da cama branca de lençóis extremamente brancos, e cobertores amarrotados, também brancos, tem uma carta parcialmente amassada, ainda úmida, como que de lágrimas, ou suor, quem sabe? O som de fundo não é da ventania, como deveria ser, o som do fundo é de soluços, de grunhidos e ranger de dentes; Se eu continuar descrevendo-o em metáforas, escreveria um livro, agora mesmo, e não conseguiria te fazer sentir o que estou sentindo agora.

Arnaldo Junior

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dedicado à Lorena Alcântara, com carinho.

Na imensidão, sozinha ao anonimato, incerta de propósitos, do quão frio posso estar, do quão posso suportar. A velocidade me impressiona, velocidade que corrompe minhas certezas, que direção tudo isso leva? O atrito que dilacera minha silhueta, ao mesmo tempo a mantém. Quem dera eu poder ao menos me deliciar da gravidade, da estabilidade, ou quem sabe se eu ao menos estivesse em um sobressalto expressivo da felicidade de um amor correspondido. Aos lapsos e levitares de consciência escuto o ressonar da noite, o silencio me traz uma breve paz seguida da surpresa, enfim me misturo a outras como eu, de uma simples gota de chuva a um pedaço do mar.

Arnaldo Junior

sábado, 2 de janeiro de 2010

Pensamentos soltos, Capitulo 4

Meus pulsos não são o suficiente, minha mente trepida ao sabor do devaneio, minha insanidade tão coerente me ludibria, veementemente, desejando minha sanidade, se consumindo de incógnitas e variáveis, expelindo certezas absolutas sobre o começo de tudo, certezas ansiosas pelo fim, um fim de dores e delicias, um fim exaltado pela medíocre existência própria, pela existência alheia, pela existência da própria existência. Tal fim tão lindo como o começo, tão expressivo como o despertar de um amor irracional, como o despertar de um ódio doentio, um fim tão amado, tão esperado, uma espera que rasga a alma causando um ranger de dentes que me surda a consciência, que me cega a vida, uma overdose de sentimentos opostos ao extremo, no limite de cada um deles, fracionados entre contradições. O terror que aos sussurros me usurpa, que me envolve num calor irresistível, causando mutações perigosas, que reprimem minha existência aceitável, perpetuando o caos, quase que rompendo a linha tênue entre a odiada sanidade, e a completamente adorada loucura.

Arnaldo Júnior

▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬

Pensamentos soltos, Capitulo 3

Entre insônias, disparos insanos de idéias entre lombras noturnas; cego ao que deve ser feito e vivido, cego aos padrões e scripts; vou me especializando em escória. Não entendo a realidade real, a realidade ideal, não entendo o que tanto dizem, as vezes tenho a certeza de que até audíveis são, esses sons. Insônias abençoadas pela anarquia, amaldiçoada pela ordem social. Peco em viver no submundo, em viver amores baratos, peco em cultivar o pior do que se espera, em sentir tanto ódio por amor, e tanto amor pelo ódio, peco por pensar; amaldiçôo o amanhã igual o ontem, que inevitavelmente foi idêntico ao hoje, e a infinidade de replicas de um único dia ao longo de todos esses dias que se passaram. Sou um péssimo colecionador de experiências; menosprezo o que se espera da vida, menosprezo o interesse ridículo em deferir o egoísmo expressivo nos achismos tão pessoais, que de longe te interessam.

Arnaldo Júnior

▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

(filler)

Pensamentos soltos, Capitulo 2

Vem de um pequeno pensamento, e se forma algo tão enorme, me consome intimamente, usurpa toda minha energia; São pensamentos sorrateiros, intencionados, carregados de emoções infinitas, testando meus limites, contradizendo de propósito todos os meus próprios conceitos; Cobrando-me mudanças, exige uma urgência que não posso cumprir, não sou o melhor em mudanças, teimo em me entregar ao pior de mim, perder a habilidade em maximizar o mínimo, e ocultar o enorme; Continuo sendo o mesmo, fantasiando, me lambuzando de pequenos projetos, dentre devaneios saudáveis, amores descartáveis, amizades pra sempre que duram dias, uma linda dança, ao longo da minha vida; Repito: (...) perdendo a habilidade; Desconheço a proporção do que vive em mim, do que já senti, do que sinto, do que posso sentir, do que realmente posso sentir, já acreditei, hoje talvez não acredite, acredito que talvez acredite;

Arnaldo Júnior

▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Inauguração temas off ao conteúdo: Um vezes Dois (Esquizofrênico e Especialista)

Quero anunciar (pra mim mesmo, sendo eu o único leitor do que escrevo) uma pequena alteração na rotina do blog (autopsicobiografia, melhor dizendo para este caso), Estarei incluindo em lançamentos off um pequeno anexo em paralelo, intitulado: “Pensamentos Soltos” (nada original, mas nada definiria melhor).

Aproveitando Tópico para publicação do primeiro texto.


Pensamentos Soltos, Capitulo 01

Sou um surto, uma anomalia, um projeto defeituoso, algo inacabado; deveria ser tudo, mas sou tão pouco, beirando um nada, beirando uma inexistência; por que deveria ser? Que lógica absurda me obriga a seguir tendências, a me alienar por padrões, a ser um pouco dele, um pouco de você? Poderia simplesmente ser o que sei que não sou, o não ser significa pra mim, significa muito pra mim, nasci com isso, mesmo não te interessando, mas sou isso, simplesmente isso. Ser você é tão especial, tão único e tão coletivo, que não cabe a mim usufruir desse privilegiado recurso, não mereço tanto, te ofenderia. Estaria eu enganado das maravilhas sociais, negando tudo, negando uma inclusão social mínima que seja? Estaria eu blasfemando ao perfil ideal? Cuspindo na face do mais novo Jesus C.? Minha ignorância talvez seja meu maior pecado, minha delinqüência comportamental é um veredicto, claro, estou condenado. Mas por que quanto mais faço isso, mais me sinto bem?


Arnaldo Júnior

Depoimento de um esquizofrênico: Auto-penitências

Há meses preso nesse ciclo, talvez não merecia tanta confiança dada pelo meu especialista... não consigo lidar com a pressão dessa vida, co...