segunda-feira, 19 de junho de 2017

Diário de um esquizofrênico: Devaneios noturnos.

"Na minha opinião, não existe essa de destino pronto, mas existem opções que não são as melhores pra você, e biblicamente você tem livre arbítrio pra optar até pelo que não presta, e acredito que é nessas escolhas que Deus participa, te enviando alguns sinais, te ajudando a se orientar. A algum tempo optei por acreditar nos sinais e confesso que, por não saber como teria sido, comecei a duvidar se eu teria tido mesmo uma interpretação correta ou apenas devaneios. Até que Deus deu um jeito de me avisar de novo, quando eu estava quase me arrependendo de algumas escolhas, ele detalhou sem que houvessem incertezas, apresentou solidamente fatos! Por que ele tem tido tanta paciência comigo? Que fui cético por tantos anos, formando opiniões contrárias, contestando a logica de sua existência. Por que?"

Diário de um Psiquiatra: breaking the rabbit


Uma manhã fria e quase poética de janeiro, sempre pensei em começo de ano com sabor de infância, são primeiros dias de ansiedade pelas mudanças que viriam na escola. O que há em mim é puro anseio, volto da tabacaria em quase devaneios, salvo por intervalos lúcidos, me peguei algumas vezes sorrindo sozinho, mas tenho de ser subjugado pelos preceitos de minha profissão, entre esses devaneios surge uma ideia, esta qual não havia pensado antes: Por que não roteirizo sanidade? 
Por um breve momento, lembrei-me da despedida de um cliente, aquela sensação de amizade me fez parecer que eu o devia, que não podia simplesmente ir embora, devo isso a ele. 

Diário de um psiquiatra: Testemunha espiritual.

Anexo ao laudo: Perfil psicológico e social; Davi Marcondes. 1. Chovia muito e Davi descartava lixo na lateral do bar, com os olhos serrados para evitar entrar a insistente água da chuva. Não havia notado a princípio, mas ao girar os pés no ímpeto de voltar ao conforto do abrigo esbarra a ponta do sapato em um volume no chão, alguns passos depois ele decide olhar e já com o corpo todo protegido na porta lateral do bar percebe que é um corpo, seu pensamento individualista secular o diz pra entrar e cuidar da contabilidade para fechar, assim que a chuva cessasse. 2. Davi outrora fora pastor da última geração de igrejas protestantes, a teologia tendeu à unificação e desde o século XXII não se fala mais em denominações populistas, todas elas se tornaram centros de gestão social estatizada. Mas esse assunto não interessava tão pouco para ser pensado, o que o sistema quer e o que o povo deseja e suas respectivas equidades não lhe interessavam mais, superara com “que seja como Deus manda”, se mantendo cristão resiliente de sua fé, sendo ele um dos últimos no exercício do ofício, ao assinar o acordo de executar o plano de caridade institucionalizado pelo estado, ficou entre abrir um bar ou morar na rua. Decidindo abrir o bar com algumas reservas que tinha, neste bar passou também a morar. Dos fundos passando para uma construção modesta que ele próprio projetara e executara com suas mãos, bis neto de pedreiro do século passado herdara extinta tradição de labuta. Em temo contemporâneo todas as construções são por encomendas livres de encaixes por padrões de paredes, alicerce, acabamento, processo entre operadores e suas máquinas na mão de obra com cimentos, terra e brita do século passado. 3. Nesse sentido, voltando ao momento de lidar com a realidade de lidar com um corpo na sarjeta nos fundos de seu bar meditou Davi, e por esse motivo decidiu voltar e conferir vida no corpo, encontrando recolheu este corpo e o depositou no antigo quarto do andar debaixo, seu antigo quarto, nos fundos do bar, o deixando ali, notou que aquele pobre coitado tinha um bilhete no bolso, parecia papel de conteúdo romântico em uma caligrafia que não lhe era estranha, mas não constava nenhum nome. O deixou e pensou em algum agasalho e antes que encontrasse viu o sujeito se recolher, satisfeito, em um abraço individual e aparentemente confortável, o cobre com um cobertor sem personalidade e ali o deixa com fechaduras destrancadas para partir quando quiser. Não podia esperar, de manhã teria a café da manhã de comemoração de promoção com a filha, sua querida tecnocrata. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Diário de um psiquiatra: Sinopse

Biografia do psiquiatra: Educado na Colômbia, natural de Bogotá. Antônio veio ao Brasil ainda adolescente e por ser de pais brasileiros já dominava a língua e não sente transição cultural. Acadêmico dedicado em medicina se tornou um respeitado psiquiatra, pioneiro em terapias não medicadas com acompanhamento rigoroso de psicólogos impulsiona novo modelo de clínicas, ganha nome e convites para escolher onde palestrar. Aposenta cedo da função de clinicar e por alguns anos se dedica às pesquisas, ensaios desses estudos quando publicados lhe credenciam como mais requisitado palestrante da área da saúde. Mas sucumbe silenciosamente às noites de bares, sendo sempre dominado por um alter ego silencioso, que nunca deixa rastros de sua existência. Teme em vida que seu alter ego seja violento, administra a vida como quem convive com um terrível animal doméstico, trancando-se dentro e si enquanto a vida acontece, solitária e monótona.

Biografia do paciente: Filho de burocratas do planalto, teve tudo que precisou exceto estrutura familiar. Não se encaixou em nenhuma espera social do distrito federal. Desenvolve tendências suicidas, tão logo é mandado pelos pais para São Paulo para ser atendido pelo melhor especialista no assunto do país, o que posterga ao máximo o inevitável e fatal momento.

Biografia da tecnocrata: Estudiosa, Sofia trocou sonhos adolescentes de encontrar o amor da vida pelos livros e suas notas a levaram a trabalhar no projeto de energia limpa do governo, governo este que nasceu 10 anos atrás nas universidades com um grupo de gênios, liderado por um messias político, este fora colocado no poder pelo povo, sem luta ou manifestações, uma intervenção popular como nunca vista. Quando o governo republicano percebeu era tarde demais, cercar universidades para derrubar forças foi sua última e inútil jogada pois o poder não estava centralizado, o poder era o despertar do povo. Este grupo de intelectuais continuaram todos os grandes projetos científicos colocando o país no centro de todos os assuntos tecnológicos, cura de doenças, tratamento de esgoto, soluções sociais, energia pura, internet livre via satélite e nenhuma necessidade de fios pela cidade fizeram do grande líder o marco entre formas de governo do republicano para formas centralizadas de gestão, onde todos contribuiriam para a construção deste cenário. Sofia é chefe do setor de auditoria de resultados, fazia visitas de rotinas em módulos reatores domésticos e em um deles, no fim de um dia cansativo conhece uma casa de debates e bebidas, percebe que dentre eles havia um notável líder, este falava e gesticulava como mais um messias, mas esse não parecia ter a adesão de todos, curioso o quanto sua acidez o isolava, notável o quanto ele não se importava, intrigante o quanto isso a atraia. Apaixonar-se e estar todas as noites com ele lhe deu vida, Sofia respirava amor, e esse amor existia somente na presença de Télio, pobre coitado.

Biografia do cientista político: Não se sabe de onde, mas frequente nos bares paulistas, sua vida noturna era presença previsível e suas rodas de conversa já tiveram assuntos relatados em periódicos de revistas. Mas Télio nunca levava o crédito. Introspectivo, não falava de pessoas ou de sua vida, quando falava, o que o fazia com maestria, este sempre levantava assuntos que esquentavam por toda uma noite qualquer bar que ele esteja. Rodas naturalmente se formavam e seus discursos eram duramente refutados, portanto Télio não se convencia facilmente, citava autores e teorias, parecia fazer isso até quando ele próprio não concordava com o que ele mesmo dizia, pois parecia ser de sua natureza essa vida: Viver pela ideia! 

Diário de um psiquiatra: O silêncio que fala do alter ego discreto

‘Enquanto caminhava dominava seus sentidos, lembrando que já havia pensado sobre este perfil de momento se viu dentro da práxis da projetada tese dos preceitos básicos do definir prioridades a nível de sobrevivência porquanto lhe parecia mais viável estar fisicamente seguro em algum lugar que tentar lembrar onde estava e o que estava fazendo. Sabendo do seu hábito compulsivo de anotações tentou achar algum em seus bolsos, dia de sorte, encontrou um que dizia hora e local da próxima palestra, mas faltou anotar o assunto, infeliz se consolou no plano de levar vários tópicos e palavras chave para cada, estava na hora de montar um portfólio intrapessoal como maleta de ferramentas. Nota suas mãos trêmulas... mas não as sente, estão dormentes e para guardar a anotação acionou mecanicamente a outra mão, se assusta com o som do papel no bolso, este sentido se equalizando e provocando sentidos novos. Sente cheiro de manhã, deve estar sendo uma manhã linda para quem dormiu uma noite e a vê. Ouve os pássaros, cheiro de café, som de passos e por esses padrões e locais que habitualmente frequenta deduziu localidade geográfica e assim se ajustou, usando a posição do sol no corpo para se direcionar, seus sentidos feridos o conduzirão.’ 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Diário de um Psiquiatra: Consulta fora de agenda

“Em um bairro onde famílias proliferavam como tribos, vivíamos como histórias bíblicas, mas não no passado, hoje lidamos com energia pura gerada por gravidade sintética, em uma matéria pequena mas complexamente massiva que colhia eletricidade cinética de constantes, volumosos e silenciosos organismos – Esta realidade sonha, e no sonho são duas famílias que precisavam habitar entre si e lidavam com diferenças de cultura social, habitando geograficamente ao lado por gerações, ambas conheciam natureza e personalidade de todos porquanto a convivência lhe permitia mas em dado momento uma geração perdeu o controle da manutenção do conflito e um confronto aconteceu: Eu convivia na família mais baixa da estrutura topográfica, mas gostávamos da proteção do alto nível topográfico que a outra família vivia. Certa feita meu comportamento deliberado e desconectado de preceitos sociais me parecia incomodar os valores da outra família. Um primo entre eles em conluio com outros conspirou e em tentar executar em pico emocional me acertou, com um me bloqueou a vértebra, mas exagerei as consequências quando percebi que foram somente lesões, mas me lesionaram também a fala, e aparentemente algum órgão desses que temos dois, estou debilitado demais para identificar, na verdade potencializando os danos para todos citados exceto um grave dano na mão esquerda. Fui acolhido por um deles quando minha própria família não parecia se interessar por caridade, e convivi e fui adotado como um acessório, mas de bom grado, daqueles que gostamos de guardar, portanto não tinha o conforto familiar nem a posse da destreza física que me permitia ser um alfa entre meu povo. Sem poder falar, andar e tendo que ser alimentado como se alimenta um filhote ferido fui colhido com os melhores cuidados possíveis, porquanto não fui tratado dos ferimentos, quatro balas eu poderia dizer que poderia sentir ainda em meu corpo e não via ninguém se interessando em as tirar do meu corpo, por respeito em ideais da convivência deles para com eles, acordo mútuo que imagino eu não poderia ter de alguns que convivia no passado. Retomo-me de todos os danos, exceto os da mão, que em conversa com um que hoje é como um irmão me diz que é grave, no osso, e eu lidei com isso como quem recebe a notícia meteorológica de noite fria, chuva e possivelmente tornado, caso esteja em zona de risco, mas o tornado chegou e passou, de fato, e eu terei de lidar com isso. ” – Relatos: análise psicanalítica de comportamento:

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Diário de um Psiquiatra: Alter Ego

Tantos anos se passaram quanto quando não se percebe ver passarem, o suficiente para ter passado despercebido mudanças em sua visão periférica de sua própria silhueta... não notando o próprio corpo envelhecido, corpo este destituído de ofício. Abandonara a profissão de psiquiatra e os estudos de terapia comportamental, escrevera um livro sobre técnicas de mimetismo social, discorrendo um assunto efetivo em seu campo de estudos, inovando com o conceito onde o paciente deve seguir um roteiro, agir pela apropriação da similitude em seu meio social, assunto que ganhou prestígio pois tinha como resultado interior para quem se recupera de um incidente emocional que ela haja pelo bem social do seu interior para o universo exterior ao qual ela frequenta, tese esta que derrubaria a necessidade de medicamentos e intervenções no universo da vida do humano atendido pela técnica, preservando seu respectivo capital empírico pessoal. Assunto este fez o nome e com isso, lhe deu acessos, mas não se importou com isso, não era ele refém de sentimentalismos familiares, tão pouco tinha para quem deixar legado e a vida consistia em continuar o caminho de experiências, de aprender com a dor, de crescer no seu interior, atingir uma iluminação como último ato da peça teatral que é viver.
Acordo tarde, como é frequente... ter por perto água se tornou mecanismo de sobrevivência, me agrada os bares próximo desses convites de palestrar e saber que acordar tarde não é problema, não vejo necessidades de resistir, gosto do meu alter ego. Ainda bem vestido, apesar de corpo e alma amarrotadas, noto dentro do meu paletó um papel amassado, mas não deve ser meu, o conteúdo tem afeto. “Não acredito que estes revolucionários acreditaram em você, mas me conforta é entender que eu própria acredito quando diz gostar de mim...”

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Diário de um Psiquiatra: Rehab

“Luzes se misturam... uma escuridão que se dissolve entre luzes que invariavelmente se misturam... como um borrão...”

(...) Uma longa e intensa respiração, como se fosse a última, me domina e me traz à vida. Uma pequena morte domina meu paladar com um gosto incontestavelmente sombrio. Sinto arder os lábios e levo mecanicamente aos mãos a eles, em uma visão nublada vejo meus punhos marcados de sangue, sinais de luta? Deixo a falta de força nos braços falar por mim e os atiro inertes sobre os travesseiros do que parece ser o sofá de meu escritório... como vim parar aqui? Isso não precisa importar agora. Fecho os olhos na esperança de que minha visão se estabilize, o peso característico de meus pensamentos evidenciam experimentação de bebidas, drogas e muito cigarro, nada fora do habitual, do vigente habitual. Percebo que de olhos fechados o mundo gira desconfortavelmente e os abro como se pudesse me perder no limpo para sempre se os mantivesse fechado por mais um segundo, vislumbro uma claridade quase mortal e meu corpo reage como que ele todo quisesse se mover para dentro a procura de uma escuridão qualquer, instintivamente meus braços se movem esbarrando em papeis, agarro os e fecho os olhos respirando como quem se recupera de um choque, lembro de técnicas de meditação, limpo meus pensamentos e observo meu respirar até que me acalmo. Com cautela, abro os olhos, semicerrados, me adaptando à luz, mantendo-me assim pelo tempo que me pareceu horas percebo que ainda prendia entre meus dedos papeis e os levo à face, em meio à uma perspectiva ainda turva noto que se trata de minhas anotações e quando vejo de qual paciente se trata, noto que era justamente o último de minha carreira. Há anos não nos falamos, desde que indiquei alta medicamentosa acompanhada por psicólogos. Tomado por pensamentos cedo novamente à resistência de manter os braços suspensos e novamente inerte, fecho os olhos, me vendo como era, da penumbra desse escritório, sentado na onipotência de minha poltrona, alheio, protegido por um diploma, imune aos devaneios de meus pacientes... não eram realidades tão distintas a minha e a de meus pacientes?




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Diário de um Psiquiatra: Piloto. / Diário de um esquizofrênico: Transcendência do ser.

Diário de um Psiquiatra: Piloto.
Era um crepúsculo clichê, belo por obrigação, o tempo estava agradável para a maioria das pessoas. Talvez um dia feliz para o meu cliente, que receberá alta de classe excepcional hoje.
Diferente do meu consultório, que agora, sentado aguardando meu paciente em uma sombra de um comércio popular, penso no quão excêntrico poderia ser meu consultório pra alguns, que não segue nenhuma ortodoxia moderna, reflito um pouco sobre o assunto mas sou interrompido por quem já era hora de chegar, detesto esses ambientes felizes ilusórios, tudo não passa de cenários aleatórios acidentais, o reverenciado é a matemática que mantem o equilíbrio de tudo, e admiram apenas um cenário.
Quando noto, já é hora de cumprimentar, não me movimento de forma sistematizada mais, não preciso agir como estou no consultório, lembro de uma frase clichê que devo ter visto em algum blog, qual é mesmo? “O primeiro dia do resto da minha vida”, é o que ele precisa pensar, limpo minha mente de qualquer pensamento que o rotule como paciente em estado crônico de seu transtorno, tendo-o como o meu melhor candidato a merecer o tratamento de terapia com psicólogo assistida por pela psiquiatria, sem a necessidade de prescrição de medicamentos. O cumprimento, com meu sorriso sintetizado de quem dará boas notícias.
Como de hábito, ao vê-lo, movimento meus óculos, como quem se prepara mentalmente para o inesperado. O observo expressar toda a sua felicidade, não me surpreendo, minha empatia, apesar de branda, mas é o suficiente pra entender o quão cômodo é, ter que se livrar de alguns fardos constrangedores e trabalhosos. Me levanto, e entrego um envelope com as instruções, ele o observou como quem não entende o nome atribuído ao documento, ele não sabe, mas intimamente o batizei como Télio Sends. Que não significa nada, gosto do som do nome, e dou a ele esse pseudônimo, agora apto à novidades científicas.

Diário de um esquizofrênico: Transcendência do ser.
Quando acordei, lembrei-me de um pensamento que me tirou o sono por algumas horas nessa noite, dizem que os primeiros minutos do seu dia definem o restante, pensar sobre um único pensamento por tanto tempo me preocupa, lembro-me bem do que meu médico disse: “O problema é o ciclo permanente de um pensar demais, e pensar de mais não é um problema, pensar demais é bom, é agregador, soma-te o tempo todo, diferente disso, onde o pensar demais envolve pensamentos que já foram pensados, e que já deixaram de agregar, crie mecanismos de bloquear o pensamento, pois há estudos neurocientíficos, aos quais defendo no meu ofício, que indicam um comportamento manual de controlar quais pensamentos quer ter, se algum pensamento te incomoda, lembre-se de que você reagiu em pensamentos de forma negativa para aquele pensamento e procure trocá-lo de propósito por outro, bom, me distraí com a ideia e acabei sugerindo conselhos de amizade, até. Mas acredite, como paciente que quando se opta por não pensar em algo de acordo com o que te disse, seu cérebro cria um padrão onde será cada vez mais fácil se livrar daquele pensamento”. E pensar demais neste momento é de acordo com uma irregularidade comportamental dentro do que compreendi, e acredito em suas palavras e as tenho como dogmas. Já se finda o brilho do dia, e meus pensamentos são os mesmos aos quais fizeram parte dos primeiros momentos do dia de hoje.
Caminho em um perfeito pôr do sol, o céu está o mais belo possível, lembro-me com clareza de um antigo romance, de uma tarde como esta, o que marcou eternamente em meus pensamentos, pois sempre verei o que estou vendo, que em seus trejeitos movimentar os lábios, enquanto os observo dizer em um sorriso: “Céu de baunilha, esse tom de cor nas nuvens, lembrou do filme que assistimos e comentei sobre esse efeito, o Vanilla Sky?”. Bom, pra esse tipo de pensamento não há técnica da mente que amenize.
Lembro-me novamente sobre o assunto da manhã, e desobediente, decido que é melhor ter que pensar tudo que tenho que pensar a respeito, para que eu fique livre de vez desse pensamento, e em meu ser, levanto questões, onde a principal de todas é: O e-mail que recebi do meu médico poderia ser o que? Ele falou palavras como piloto científico, mas não compreendo seus termos técnicos, na verdade ele usa muito esses termos, me acostumar com isso é difícil, mas possível.
Enquanto peço algo pra beber, sou recebido por um sorriso tendencioso, como quem sabe onde quer chegar, a princípio achei que ele não teria me visto, distraído bem mais que o seu normal em ajustar aqueles malditos óculos em sua habitual penumbra, imaginando que aquele gesto estaria me rotulando, me avaliando, decidindo qual estereótipo de suas ciências em que me condeno, por minhas próprias palavras, qual penitência ele prescreverá.
Percebo que uma nova pergunta me surge em pensamentos: Por que mandar e-mail sugerindo coisas estranhas e marcar pra explicar melhor em um quiosque de praça? Não teria o reconhecido fora de seu castelo, o que ele tem a me explicar melhor neste lugar? Quando finalmente me faço essa pergunta, sem nenhum aviso ele sai de seu momento estranho, ao que mais me pareceu um ritual, e escuto palavras e expressões inéditas em minha vida. Seus lábios tentavam explicar pausadamente o que eu já compreendi, agindo como indicado pra agir quando percebesse indícios comportamentais do meu transtorno do déficit de atenção: “Sorria, sintetize uma ingenuidade genuína, logo, se socializará com excelência!”.
Eu estou feliz, eu estou livre, ganhei o direito de nascer de novo!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Falando em astronomia...

"O nono planeta tem sua órbita errante, porém bela. Uma órbita tão bela também permite compreender os motivos que levaram a abandonar seu ninho celestial, o doce conforto harmonioso administrado por seu antigo astro, projetando para fora de seu controle com sua própria falha de matemática de sustentação, traído pelas leis físicas.
O planeta errante agora graceja e encanta, tentando se encantar, sistemas solares e todos os comportamentos de seus astros possíveis, sutilmente sendo captado por sua órbita. Mas haviam inconsistências, sempre haviam. O astro nunca é sozinho em seu reino. Sua tentativa em se sustentar era constantemente perturbada por outros planetas que outrora acolheram as leis equacionarias desse astro e lá permaneceram.
É o corpo celeste mais lindo já observado, extremamente rico de um tipo de vida ainda incompreendido. Gentilmente a procura de um lar, a procura da matemática perfeita dominada com um punho firme apoiado no tecido espaço-tempo, um astro soberano em seu trono de leis físicas, e nobre em aceitar uma complexidade de características e o ver como extremamente belo como realmente parece ser." 

domingo, 9 de março de 2014

Algo sobre uma alma pseudointelectual

- Sutilmente o tecido dos meus pés tocam o solo, como quem sai de uma nuvem de devaneios, inebriado pelo doce prazer do que é puro em um ser. Imerso se sentia um anjo, um defensor de uma causa celestial, um quase profeta de todos os dogmas teológicos. Suas palavras se transformavam em som pela vibração de cordas vocais, talvez possuídas por uma razão superior, e todas as mentes ali tocadas, nenhuma poderia assumir suas dissertações como falácias, pois o destinatário era sempre a alma.
O solo ao qual toca é por característica amaldiçoada, sua essência é puramente caótica, alimentada impiedosamente por anos de intensos momentos dramáticos, solo este é visivelmente dilacerado, cortado a esmo, cada ferida com seu interior ainda mais venenoso, o simples toque o transforma de novo, o traz de volta, e você o conhece.
O nome do antigo anjo pode ser muitos, seu signo pode ser qualquer um, utiliza das malícias até de seu signo ascendente carnal, e sua opinião sobre ele provavelmente é: não passa de um maldito hipócrita.

Depoimento de um esquizofrênico: Auto-penitências

Há meses preso nesse ciclo, talvez não merecia tanta confiança dada pelo meu especialista... não consigo lidar com a pressão dessa vida, co...